Cuiabá-MT, terça, 02 de setembro de 2014
Qui, 01 de Setembro de 2011 10:56

Em Rondônia, aumenta o mapa da violência contra as mulheres

Por  João Guató, especial para Sina
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O mapa da violência contra as mulheres ganha novos índices no estado de Rondônia. Dados da delegacia da mulher em Porto Velho revelam que a agressão as mulheres vêm crescendo de forma significativa.


ados oficiais divulgados pela Delegacia da Mulher revelam que de janeiro a agosto de 2011, foram registrados 3.856 ocorrências policiais, 508 pedidos de medidas preventivas, 6.192 intimações encaminhadas e 253 flagrantes lavrados.

Segundo a delegada Edna Mara de Souza, cerca de 80% dos agressores ficam presos e 20% pagam fiança. O custo da fiança para se livrar da agressão as mulheres custa uma média de cinco salários mínimos, mas existe uma previsão de redução de 2/3 deste valor.

A delegada comenta que o crescimento no número de registros de agressão contra as mulheres é porque elas estão quebrando o silêncio e pedindo socorro na delegacia. As mulheres estão rompendo o silêncio e denunciando os agressores.

Os dados da Delegacia da Mulher revelam que os agressores possuem idade entre 25 á 45 anos. Destes a maioria possui ensino médio completo. A violência física no espaço domestico lidera com o maior número de casos.

Outra marca da violência é que os agressores possui uma renda salarial que gira em  torno de até dois salários mínimos. A droga lícita (bebida alcoólica) e as ilícitas (maconha, crack e cocaína) são as principais causas das violências em Porto velho.

Os dados divulgados mostram que as maiores partes das agressões são praticadas pelos esposos que juraram cuidar das esposas até que a morte os separe. Mesmo com as campanhas crescentes contra a violência praticada às mulheres, os números revelam que a violência esta ocorrendo dentro do lar.

A Delegacia da Mulher de Porto Velho alerta que as mulheres precisam continuar rompendo o silêncio para não deixar chegar às agressões físicas. As denuncias podem ser feita pelo telefone 3216.8800, ou direto na própria delegacia.

A delegacia dispõe de atendimento de psicológico para as vitimas. O agressor também pode ser encaminhado para um centro de reabilitação. Para isso, basta solicitar o serviço à delegada. As mulheres que correm risco de morte são encaminhadas para uma casa abrigo.

A cultura da violência masculina contra as mulheres


ados do Mapa da Violência contra a mulher no Brasil realizada pelo Instituto Sangri, mostra que na última década,  41 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, um índice de 4,2 % por 100 mil habitantes. Os dados estão acima da média internacional.

Entre os casos de violência contra as mulheres, a maioria dos agressores tem algum tipo de relação conjugal com as mulheres, como identifica o Núcleo de Violência da Universidade de São Paulo. 

De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Na América Latina, segundo dados divulgados pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), 45% das mulheres da região já sofreram algum tipo de ameaças de seus parceiros.

O Brasil ainda tem uma cultura de violência brutal contra a mulher. Para cada cem mil mulheres cerca de 4,17 assassinatos são praticados contra as mulheres. Em 2011, as mortes violentas de mulheres somaram 4.023.

A metade dos homicídios ocorre dentro de casa: 50%. No caso dos homens, apenas 17% dos assassinatos foram registrados na residência ou habitação. Dado que reforça a violência doméstica como a principal causa dos incidentes fatais. 

Os dados indicam que grande parte dos crimes são passionais e ocorrem dentro de casa. A impressão que passam é que a violência doméstica é a principal causa dos assassinatos de mulheres. 

O Espírito Santo  mantém a liderança  como o estado que concentrou o maior número de mortes, registrando mais do que o dobro de homicídios (10,9 por cem mil, em 2008), na comparação com a média nacional.

A Lei Maria da Penha, aprovada em 2006, considerada como uma é uma legislação avançada, mas sua aplicação ainda é muito lenta e não há um sistema que garanta proteção às mulheres vítimas de violência.

Apenas 7% dos municípios brasileiros possuem Delegacias da Mulher. As casas que acolhem mulheres em situação de violência, com endereço sigiloso, não dão conta da demanda.

Quando alguns casos são pauta da grande mídia, geralmente tenta-se culpar as mulheres, desqualificando-as e tentando justificar de alguma maneira a agressão masculina.

O maior de índice de violência contra as mulheres atinge principalmente as trabalhadoras, que encontram maior dificuldade de sair dessa situação. Mesmo no governo do Partido dos Trabalhadores com uma mulher na presidência, a violência brutal continua ocorrendo do norte ao sul, do leste ao oeste. 

Além dos entraves afetivos e culturais – questões morais e de costumes da sociedade – as mulheres trabalhadoras possuem o obstáculo econômico. O mapa da violência nacional mostra que a violência doméstica contra a mulher no Brasil ocorre pela falta de condições econômicas para viver sem o cônjuge.

Última modificação em Qui, 01 de Setembro de 2011 11:01

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